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Bloqueios que atravessam gerações: o impacto da vergonha herdada

Publicada em 13/04/26 às 09:06h

por Blog do Leo Lima


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 (Foto: Divulgação)
Apesar do avanço das mulheres no mercado de trabalho e nos espaços de liderança, muitas ainda enfrentam uma barreira invisível: a sensação persistente de não merecimento. O medo de prosperar, a dificuldade de se posicionar e a autossabotagem em momentos decisivos podem estar ligados não apenas a experiências individuais, mas a histórias familiares marcadas por perdas, exclusões e fracassos que atravessam gerações.

Dados do IBGE mostram que, mesmo com maior escolaridade média, mulheres continuam recebendo salários inferiores aos dos homens e relatam maior insegurança ao ocupar cargos estratégicos. Pesquisas sobre comportamento organizacional indicam que a chamada “síndrome da impostora” é mais recorrente entre mulheres, impactando negociações salariais, decisões de carreira e visibilidade profissional.

Para a terapeuta transgeracional Flávia Távora, esses bloqueios podem ter raízes profundas. “Muitas mulheres carregam uma vergonha que não começou nelas. Histórias de falência, rejeição social, abandono ou humilhação vividas por antepassados podem gerar um sentimento inconsciente de que prosperar é perigoso ou que se destacar significa romper com a própria origem”, explica.

A abordagem transgeracional investiga a árvore genealógica como ferramenta de compreensão emocional. Segundo Flávia, eventos marcantes no sistema familiar — como perdas financeiras abruptas, exclusões ou experiências de desvalorização — podem criar lealdades invisíveis que influenciam escolhas nas gerações seguintes. “A mulher começa a crescer profissionalmente, mas sente culpa. Inicia um relacionamento saudável, mas sabota. Recebe reconhecimento, mas não consegue sustentar. Não é falta de competência. É um vínculo inconsciente com histórias que ainda pedem reconhecimento”, afirma.

O reflexo aparece também na vida financeira e afetiva. Muitas evitam cobrar adequadamente pelo próprio trabalho, hesitam em assumir posições de liderança ou se retraem diante de oportunidades de destaque. “Existe um medo silencioso de julgamento ou de exposição. E, em muitos casos, esse medo está associado a memórias emocionais herdadas”, pontua a terapeuta.

Segundo Flávia Távora, o processo terapêutico não busca culpados, mas consciência. A leitura da árvore genealógica permite identificar padrões repetitivos, datas significativas e dinâmicas familiares que continuam influenciando comportamentos no presente. “Quando a mulher entende de onde vem o sentimento de não merecimento, ela deixa de lutar contra si mesma e passa a escolher com mais clareza”, destaca.

Ao ampliar o debate sobre autoestima e prosperidade feminina, a proposta da terapia transgeracional é oferecer uma nova perspectiva: reconhecer a própria história sem precisar repetir suas dores. “Honrar a família não significa carregar suas vergonhas. É possível transformar herança em força”, conclui Flávia.

A compreensão das raízes emocionais pode ser o primeiro passo para que mulheres ocupem espaços com segurança, prosperem sem culpa e construam trajetórias mais leves e conscientes.



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